Rede inconveniente de comunicação

Hey, galera.

Aqui é a D. Depois de algum tempo sem postar, estou de volta e com um tema um pouco diferente e até mesmo um pouco chocante. Sei que muitos vão discordar e ler até a metade ou nem chegarão a ler por ser um texto diferente e um desabafo sobre algo extremamente sério.
Bom, como correu rapidamente pelo whatsapp essa semana, alguns já devem saber a respeito de uma mulher que subiu na ponte antiga de Florianópolis e pulou. Queria compartilhar com vocês a minha visão de enfermeira e de paciente em um processo terapêutico a quase dois anos.
Quando eu soube do ocorrido, eu fiquei em choque, não apenas por que ela cometeu suicídio, mas também por que alguém resolveu gravar, fotografar e mandar para as pessoas, como se fosse o vídeo de um lindo cachorrinho correndo pelas colinas da alegria. Estamos falando de um ser humano, que devido a tamanho sofrimento, decidiu tirar a própria vida. E se fosse um parente seu? Ou um amigo que há algum tempo se fez indisponível e está desacreditado da vida, com medo dos pais descobrirem que é homossexual. Ou talvez você, que não vê saída desse pesadelo e desse país repleto de preconceitos, bancada evangélica, gente egoísta e por aí vai.
Essa semana já ouvi de tudo: “Mas que absurdo, eu nunca faria uma coisa dessas!”. “Nossa, tanta gente querendo viver e chega uma louca dessas e se mata”. EU discordo dessas palavras, e sabe por que? Primeiramente por que nos meus estágios de psiquiatria eu pude conhecer o lado dos depressivos, bipolares, esquizofrênicos e posso dizer que essa depressão tão cruel e mortal é uma doença e não um mero “quero chamar a atenção”. Ou vocês acham que a mulher decidiu no mesmo dia que ia subir no topo da maldita ponte e se jogar só por diversão, “pra ver no que ia dar” ou para chamar a atenção?
Esse assunto me incomodou, por que ainda há um pré conceito relacionado ao suicídio. Ainda tem gente que acha que isso não é sério e que se “der uns tapas a pessoa melhora”. O CARALHO que melhora. Vou dizer o que pode ajudar… Um bom terapeuta, exercício físico, atendimento especializado, compreensão da família, amor e esperança. Sim, esperança, por que essa pessoa precisa que alguém lhe diga que apesar de se sentir uma “bosta”, ainda tem como sair desse labirinto de pensamentos negativos e de morte.
Independente de quem você seja, branco, verde, azul, moreno, grisalho, bonzinho, malvado, gay, trans, bi, hetero, enfim, a depressão e o suicídio são assuntos que devem ser discutidos e levados com seriedade, por que para a pessoa depressiva, aquele sentimento negativo e aquela angustia são muito reais.
Então, galera, repassem esse texto e o nosso blog para quem você conhece.
Com carinho e esperança,
D.
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